quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

lu ci a na.

muito estranho porque tive uma luz do nada, de escrever a respeito de mim. mas não a respeito do que vem acontecendo, ou de como eu tenho me portado diante das situações escrotas que me aparecem, mas escrever sobre como eu sou, o que me tornei, e como me tornei o que eu sou. não falo só do que acaba de acontecer, ou do que vem acontecendo há dois anos, há dez, há quinze. mas sim de tudo. de como eu me percebia antes, e me percebo agora. não como uma experiência de auto-conhecimento apenas, mas especialmente para provar pra mim mesma que há algum tempo eu já não presto mais tanta atenção assim em mim. longe de saber se isso é ruim ou bom, mas com certeza admitindo que esta é uma grande mudança. muitas coisas que eu achava de mim mesma se perderam, muitas características que eu não poderia ter nascido sem, hoje esqueci, ou simplesmente se esvaeceram. mesmo que algumas pessoas perdurem ao meu redor, as relações andam diferentes. eu rabisco e rabisco com força a canetinha pra ver se consigo reforçar o tom do colorido, mas as coisas insistem em desbotar. e talvez isso seja apenas mais alguma coisa que aconteceu, e eu não pude evitar, e mal perceber.
me tornei um pessoa fechada. se com 14, 15 e 16 anos a depressão séria e sangrenta parecia o maior bicho papão do mundo, e não foi encarada com a serenidade que tenho hoje, ela pôde ser enfrentada with a little help from my friends. eu não tinha nenhum escrúpulo de gritar e pedir ajuda até que alguém pudesse me socorrer. abria o berreiro, rasgava a garganta, acusava o mundo, esperneava até que alguém pudesse me olhar - e me olhar de novo, até enxergar - e perceber o que de mal havia. mesmo que na época tudo fosse o maior drama na minha vida, e que eu sofresse todos os dias com a intensidade de mil sóis, sabia que sempre haveria aquele recurso pra me ajudar, e me agarrei a ele com toda a força. ter aquela facilidade para pedir ajuda - mesmo que ajuda infantil, de chorar junto, de se cortar junto - foi fundamental pra que eu soubesse que aquilo era parte de crescer. me acostumei a dor de um jeito tal que hoje ela já não me parece grandes coisas. a diferença é que me porto de outro jeito.
com certeza desaprendi a ser junto. em algum ponto do caminho - e eu nem sei direito onde -, eu fui me recusando a pedir ajuda, ou a admitir certas coisas para os outros. independente do quão amigo seja o interlocutor, minhas verdades sempre são particionadas. transparência deixou de ser uma característica minha para dar lugar a uma sombra que sempre paira quando converso com alguém. fingidora. não por mal, não por conscientemente ter deixado de acreditar ou de dar valor, mas simplesmente por um movimento natural de recolhimento, e de virada de olhos pra dentro. não sei bem quando, nem porquê, mas acabei procurando tanto me ocupar do que acontecia internamente em mim, que me perdi em algum lugar do meu estômago. as pessoas me passaram meio que despercebidas, e eu também acabei passando. as transformações foram acontecendo, eu fui me tornando, me virando, me mudando, e sequer percebi muito bem o terremoto e a implosão que ocorreu. displicência talvez, sonolência... naturalidade. nem eu nem os outros percebemos que as coisas mudaram. mas elas mudaram.
agora parece que uma antiga parte de mim - a que pedia socorro, gritava, arranhava e pedia - está em constante desalinho com uma nova parte que tenta se manter serena e reclusa diante de qualquer acontecimento drástico. às vezes quero voltar a ser adolescente, ter 15 anos, transformar qualquer dor em dor física, mas sei que não posso. faço o que posso para não me dispôr a situações que julgo inúteis de sofrimento. não que eu o recuse por inteiro, mas é como se agora, numa tentativa de equilíbrio, essas duas partes, a nova e a velha, tentassem costurar um novo estado de espírito, um novo modus operandi do meu próprio sistema nervoso, das minhas noites, da minha satisfação. sei que não sou a mesma, e ao mesmo tempo tenho muito medo do que posso vir a ser. quero vir a ser, e não ficar à deriva. quero mesmo caminhar.
no final acho que tudo veio a ser crescimento, como sempre é. e que finalmente agora estou dando ouvidos a isso e a sua importância. eu quero me livrar de tudo, é verdade. não quero remoer, nem expremer os dias passados atrás de respostas que nem me importam mais. mas especialmente eu quero poder levantar. recuperar o ar. ter certeza de que foi só mais uma etapa, e que mesmo que os tijolos estejam todos espalhados, logo logo poderão se rejuntar. que a vida seja um bom cimento.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

a small victory.

não, não morri. quem me dera. hahaha
4h30 da matina, faith no more no wmp, e eu fico pensando... piro por cada coisa nada a ver que às vezes até eu me surpreendo. se A significa algum probleminha em minha vida, expremo aquela situação até ser minha alma exterior por semanas. ao mesmo tempo em que A deixa de ser um problema - ou porque resolvi, ou porque se resolveu sozinho -, imediatamente faço de B - que sempre esteve lá, quieto - um outro e insone problema. vou me alimentando de problemas e pirações continuas para não cair em um vácuo que talvez me dê medo. não entendo. mesmo depois de enfrentar todos os vácuos, precipícios e pântanos do meu interior, fico com medo dos ecos mais leves e casuais da vida de uma pessoa normal.
há, e quem disse que eu sou normal, não? daí tenho medo dessa mesmice em que muitos vivem e em que nadam. tenho medo de me afogar num marasmo que inunde meus pulmões. quase como morrer continuamente, a morte dentro da morte, como bonecas russas.
e depois vem a luz do dia. me deixa hiperativa, suada, dançante. vem como um soco. por uma hora e meia sou a rainha do universo, ninguém é páreo para mim, e faço todos chorarem. aí depois vem o sono, e quando acordo sou eu mesma em espirais de problemas, roupas, maquiagem e sapatos.
eu não sei... parece infinito, porque sempre terão os 3 meses do ano em que viverei assim. no fundo eu gosto, no fundo eu até rio de mim e isso é ótimo. às vezes cansa, mas aí eu fumo. e aí eu piro, e aí eu danço e durmo.

e foda-se.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

no recess.

wouldn't you believe it is just my luck...
no recess!
you're on high school again.



qualquer um duvidaria de como eu tenho me tornado craque em esquecer, apagar e jogar fora as pessoas. logo eu, a rainha do apego, em uma fase totalmente revoltada e vingativa contra todos os seres humanos, mesmo tendo sido eles os ditos *mais importantes da vida*. ninguém é importante além de mim, e do meu próprio umbigo. e tenho dito.


i'm NOT in high school again.

sábado, 16 de janeiro de 2010

all I really wanna do


I don't want to meet your kin,
Make you spin or do you in,
Or select you or dissect you,
Or inspect you or reject you.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.

I don't want to fake you out,
Take or shake or forsake you out,
I ain't lookin' for you to feel like me,
See like me or be like me.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

numb

I can't understand myself... anymore
'cause I'm still feeling lonely
feelin' so unholy...





'cause the child rose as life
tries to reveal what I could feel
and this loneliness
it just won't leave me alone, ohh no
and this loneliness,
it just won't leave me alone...





tá, parei. daqui a pouco todos os dramas passam, vai.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

... slave of sensation.

arranhões, puxões de cabelo, dedos fincados na cintura, entrelaçados aos cabelos, línguas e dentes, barba, sorriso. aquele olhar.
extremamente provocante ser ele, como sempre, a reacender qualquer coisa que eu julgava apagada em mim. aquela velha metáfora do vulcão cabe como uma luva. de repente estou quase uivando, salivando, procurando. seria perfeito com menos 2 horas de distância. seria absolutamente perfeito (talvez não, babe). mas, como nada é, dá pra entender que antes de qualquer coisa, esse desejo venha me deixar acordada e me virar do avesso por dias. e é bom. e pensá-lo é melhor ainda.

arranhões, puxões de cabelo, dedos fincados na cintura, entrelaçados aos cabelos, línguas e dentes, barba, sorriso. e aquele olhar. full fed, yet I still hunger...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

assim sem disfarçar


julia _ she wants more than dreaming diz:
*nao po
*vc tem varios amigos

luciana. [calma] diz:
*haha não tenho não cara
*posso contar nos dedos da mão do lula

é cômico e é trágico. é cômico porque foi um pouco de escolha minha, afinal. eu mesma me tornei uma ilha com águas infinitas em torno, não ajudei ninguém a atravessar. é trágico porque não dá pra viver muito bem assim (mas dá pra viver como eu estou vivendo, e não é porque no momento está tudo uma bosta que vou ignorar isso), e porque quando a gente faz isso normalmente é pra poder perceber quantas pessoas realmente querem chegar até ela. ninguém quer, entende? as pessoas querem amigos maleáveis, fáceis de convencer, de conviver, de zoar sem magoar. as pessoas gostam de ter pessoas comuns como amigos. dona luciana incomum não é facilmente digerida, e aí acontece isso. não sofro não. juro. passado o momento de irritação, só resta um vácuo. as pessoas sempre foram essa bosta o tempo todo, convivi com isso no colégio o tempo inteiro. se fiz zero amigos na faculdade, simplesmente foi a continuação normal dos fatos. não sou ótima também, ninguém é, não nos bicamos.
só que... é foda. não consigo entender que alguém que se diz amigo do outro possa não perceber um momento ruim e ter a sensibilidade de oferecer o ombro, mesmo que pra isso não tenha que usar uma palavra. sinto falta disso num ambiente hostil universitário em que se eu não for hominha, ninguém me considera. só por cinco minutos queria um ombro pra dizer "tá tudo uma bosta, a vida é uma merda, quero me matar", e cinco minutos depois estar cantando, ou tomando sorvete. estraguei a única amizade plena que eu tinha lá, a única amizade total. mas não é possível a total insensibilidade das pessoas em relação as outras nos momentos críticos. as pessoas não tem humanidade mais, é muito estranho. somos um grupo enorme de amigos e eu não tenho um ombro pra me sentir aquecida num momento que - boceta cabeluda - está fazendo frio. é cômico e é trágico mesmo. onde estão aqueles personagens maravilhosos de filme que sabem a hora de fazer um brigadeiro pra você, te oferecer uma cerveja, ou que reconhecem o estado das coisas só de olhar? onde estão essas pessoas?
e eu ainda sou péssima, sem jeito, não converso com ninguém sobre minhas coisas porque simplesmente não sei - com a diferença que eu preciso disso e não sou como uma pessoa maravilhosa que eu conheço que desenvolveu o dom da autossuficiência (grafia de acordo com o priberam). e afasto todo mundo porque esse é meu maravilhoso jeito. grosseiro. apenas mais transparente do que os que são grosseiros mas ficam pedindo desculpas falsas. mas enfim, ninguém gosta disso.
assim... é foda. preciso de pessoas, mas não gosto de precisar delas. não são confiáveis, não têm garantia. somos fingidas, egoístas, sufocantes. somos um inferno.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

liberdade...

Já que aqui eu sou o próprio umbigo do mundo, aproveito pra dizer que estou me sentindo estranhamente estranha. Não pra mal não, mas sei lá se pro bem. Estou tão acostumada a viver de montanha russa que quando qualquer dia beira à calmaria, espero logo a tormenta, o desastre, a tragédia, e me convenço a sentir cheiro de queimado no ar. Sei lá.
Estar bem é algo que está além do meu controle, e das minhas perspectivas por agora. Estar bem mesmo só daqui a tempos, quando eu conseguir não me perder em mim mesma, no gramado, no céu e no estacionamento da uff. Valorizo muito o fato de admitir não estar bem, pelo menos pra mim. É importante na minha relação comigo mesma saber dizer a verdade de quando em vez. Não está tudo rosa, nem azul, nem encarnado, não solto rojões, não sou senhora de meus pensamentos, sentimentos, e nem mesmo das minhas cutículas, mas estou bem viva. E para os padrões que normalmente sigo, até que hoje foi um dia bem tranquilo. E por ter estado tranquila, me sinto feliz. Mesmo que segundos depois minha imaginação se perca tentando adivinhar o imprevisível... Se forem os dias assim, um após o outro, não hei de conviver com a angústia tanto tempo.
Há espectativa, não nego. Há lembrança, mas há também lá no fundo algo como uma pontinha de esperança e confiança na vida que não posso perder de vida. Serão meus dentes embaixo do travesseiro.

PS: Baixei o cd da Sade. Trilha já tenho, agora só falta o parceiro. hahah

(lógico que no final do dia as coisas vêm me confrontar. força.)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

all we need is just a little patience.

pa.ci.ên.cia


s. f.(lat patientia)
1. Virtude da pessoa paciente.
2. Sossego com que se espera uma coisa desejada.
3. Perseverança.
4. Demora nas coisas que se deviam executar prontamente.
5. Sofrimento em pontos de honra.
6. Passatempo ou jogo de uma pessoa só.
7. Bot. Labaça.
interj.
8. Designativa de paciência, conformidade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

grito no travesseiro

Esse post é um grito no travesseiro. Daqueles que você dá pra não sair dizimando toda a humanidade como a uma fileira de dominó. Se eu tenho pensado frequentemente sobre como tenho que ter paciência comigo, agora percebo que ela terá de ser transferida da pouca paciência que eu tenho com os outros. Simples. Eu explico.
Não tenho mais paciência com ninguém. Nenhuma paciência. Isso quer dizer menos ainda do que o que eu sempre tive de paciência, que era muito pouco. O momento atual exige de mim uma qualidade que eu nunca tive. Paciência, como um todo. Com o passar do tempo, comigo, com meus sentimentos, com o sofrimento, com tudo. Pela minha ansiedade e impaciência natural, só posso ter esta calma toda se transferir de algum lugar que eu ainda tivesse. Acabou minha paciência com as atitudes alheias. Ex-namorado escroto, me acordar antes da hora, grosseria, novela chata, filme chato, não aguento mais nada. Tenho tido que concentrar toda a minha calma e pensamentos bons em mim mesma e no meu próprio umbigo, e não vou mudar isso pra tornar a convivência comigo mais maleável, de jeito nenhum. Estou focando todas as minhas energias em torná-la mais fácil pra mim mesma, e os outros que se fodam. De verdade. Não custa nada não me acordar antes da hora, ser um pouco mais humano comigo, não jogar reprovações na minha cara, etc. Falou, levou palavrão agora. Pode ser até o papa. Não to nem aí.