Acho que pela primeira vez escrever aqui pode ser um desabafo. Naquele dia em que eu deveria fazer um post no estilo gran finalle, no estilo retrospectiva reflexiva de 2009 e resoluções para 2010, to aqui me borrando.
Um dia 30 de dezembro chato, sem graça, de muita chuva e com o cérebro a mil. Uma sensação ruim superando qualquer expectativa de roupa nova, de ano novo, de comida, de bebida com amigos, de diversão. Um engasgo na garganta incompreensível pra mim e pra qualquer outro. Daqueles medos que congelam, daqueles suspensos que aflingem, e eu nem sei o porquê. Medo de que? De quem? Por que? Não posso negar que me persegue ser aquela que na hora "agá" amarela. Deve ser algo neste sentido. Hoje que eu deveria ter feito a mochila com alegria, com alívio, deveria ter cozinhado com amor, ouvido minhas músicas, dançado, lavado os cabelos, fiquei encolhida na cama e tentei me impedir de pensar em qualquer coisa pra que o pensamento não fosse dar em paragens desagradáveis. E eu nem sei quais. Sinceramente, não tenho certeza. Eu estou tão bem, de verdade, logo hoje foi como se levasse um choque. Parece uma premonição, um aviso da minha espinha dizendo "você vai se ferrar, não vá lá". Mas, francamente, eu vou. Mesmo sabendo que depois, acontecendo qualquer coisa que confirme essa sensação, vou me sentir uma idiota por não ter ligado para meus próprios sinais internos. Nunca fui macumbeira, sensitiva, paranormal, que porra é essa agora? Por isso, VENHA, CORAGEM MALDITA, vamos limpar minha fralda e seguir adiante. Não tenho vocação pra ser medrosa, quero continuar sendo desembestada.
Vendo as retrospectivas de 2009 na TV pude perceber que meu ano não teve quase nada de importante, e que talvez o grande fato que me marcou tenha sido mesmo a morte do Michael Jackson. Nada de absurdo aconteceu, não houve nenhum grande passo à frente que eu me lembre. Passei os primeiros 6 meses do ano praticamente comendo capim pela raiz, olhando o rejunte dos tacos do piso, arranhando o nariz nas pedras do chão. Depois fiquei feliz, depois triste, agora estou aqui vivendo. Bem melhor do que nos primeiros meses de 2009. É, talvez eu tenha, depois de uma grande espiral inútil, acabado em um ponto melhor do que comecei o ano. Mais conformada, mais calma. Bom, talvez só paralizada. "Aquela calma que só o desespero dá".
Nos estudos o ano de 2009 também não foi nenhum 1968. Posso ter tirado só 10, mas, pra falar a verdade, eu bem que podia ter estudado mais. Poderia ter lido livros pra monografia, poderia ter ido às últimas duas semanas da aula de Evolução do Pensamento Científico e Filosófico. Sinceramente, agora eu nem me lembro o que de tão importante eu tinha pra fazer que me impediu de ir à aula. É como se tivesse empregado mal o tempo, focado no inverso. Mas enfim, não ganhei nenhum Nobel de dedicação à minha pesquisa, que aliás deixei bem de lado. Preferi jogar os joguinhos do facebook, e quer saber? Isso foi ótimo. Os joguinhos foram uma grande conquista na minha vida. hahah.
As relações pessoais não evoluíram, só decaíram. Me tornei completamente isolada das pessoas, às vezes não sendo nem o iceberg que normalmente era. Nem a ponta de gelo as pessoas podem agora ver. Aprendi a mentir mais, tanto pros outros quanto pra mim, aprendi a ser mais... Independente, talvez. Posso não precisar mais tanto que façam alguma coisa pra mim, mas também não vejo mais graça em fazer as coisas pra muita gente. Mesmo assim, acho que isso é um equilíbrio. Ponto pro meu pretenso comedimento, já que o símbolo do meu signo - a balança - pra mim só significa estar acima do peso. Em diversos, quase todos, os sentidos.
Continuei com o mesmo grande peso, com o cabelo num comprimento escroto, com a pele oleosa pra caralho, apesar de não ter mais tantas manchas nas pernas. Continuo cheia de frizz e com um pedaço da parte inferior dos cabelos descolorida, não sei de nenhuma dieta milagrosa pra perder 10 kg em cinco dias, não consegui tirar a carteira de motorista facilmente como eu esperava, não consegui arrumar a escrivaninha e o material da faculdade, apesar de ter arrumado direitinho meus livros de literatura. Não consegui ter mais interesse em História, continuei devorando Balzac, Proust, García Marquez, e até Kafka. Nada de Hobsbawm, Thompson, ou qualquer desses.... Pelo menos troquei de computador. Agora tenho um notebook lindo, que não trava, com um pequeno mouse roxo. Mas a internet ainda é por fio, e não posso usar fora da sala. A grosso modo, ainda é a mesma coisa. Grandes merdas 2009. Fui pra São Paulo no Carnaval e, se bem me lembro, foi uma das melhores partes do ano. Na verdade, é a única boa parte da qual me consigo lembrar. Nasceu meu sobrinho, eu me vi apaixonada por uma criatura de 40 cm. Ele está crescendo e o tamanho do amor o acompanha. Foi o maior acontecimento de 2009, e tenho certeza que ele entrará os primeiros meses de 2010 na sola dos próprios pés.
A Tieta apareceu, e levou muitas latidas da Nina no ouvido. Tieta foi à veterinária e voltou de lá sendo o Tito. Algum tempo depois quebrou a pata e teve que botar pinos. Depois de ficar completamente curado continua brigando na rua.
Enfim, eu não tenho pretensões para 2010. Não quero parar de fumar de jeito nenhum, como todo mundo. Pra que? O mundo e as pessoas não merecem tanta consideração minha assim. Quero passar este reveillon fumando, e comprar uma cigarreira, é o que me falta. Espero que a faculdade se vá, espero poder parir uma monografia, e poder passar no Mestrado, já que - pra falar a verdade - eu não tenho nenhuma perspectiva do que fazer da minha vida depois que tudo acabar. Não tenho o grande sonho de ser professora, nem de continuar estudando. Nem de trabalhar, nem de continuar vivendo e construindo qualquer marca minha no mundo. Odeio pensar nessas coisas sérias. São tão deprimentes.
Queria tirar a carteira e poder fugir por aí de carro e voltar 3 dias depois, bêbada feito um gambá com o pneu enfiado no pescoço. Queria ter algum lugar pra fugir de tudo, como já tive antes, mas que agora nem funcionam. Mas isso não é um plano pra 2010, é só um desabafo.
Ando sem perspectiva do que pedir pulando ondinhas. Não sei mesmo. Tenho medo de pedir muito e dar tudo errado. Mas confesso que também tenho medo de desistir de fazer pedidos e aí continuar tudo assim morto (não posso esquecer que o ano de 2009 começou com um cagalhão de reveillon). Não sei o que desejar, ou programar. Espero que as coisas sejam melhores. Espero poder fazer as coisas melhores pra mim mesma, algo no que talvez eu venha falhando miseravelmente, enfim... Espero não ter mais problemas pra dormir, e poder andar os primeiros meses deste ano olhando pra frente, sem arranhar o nariz na calçada.
Muito dinheiro no bolso. Saúde pra dar e vender. Olé.
