domingo, 27 de dezembro de 2009

happiness is a warm gun.



I need a fix 'cause I'm going down... Odeio as lâmpadas de Natal piscando interminavelmente, piorando meu calor, me aflingindo com essa infinitude de energia elétrica mal empregada. Faz lembrar minha energia mal empregada, faz lembrar essa espécie de poço do qual eu saio, e saio, me arrastando para o alto e avante, e pra onde de repente volto a nadar na água turva. Pisca-pisca. Pisca-apaga. Eu acendo, e apago, desisto e desisto de desistir. Desisto de uma coisa a cada hora, e no dia seguinte desisto de novas coisas, das opostas aquelas. A mesma velha montanha russa. Aquela que não está exterior a mim, mas que está dentro. O bicho grilo, a consciência, minha massa cinzenta, instável, agitada, incômoda. Minha maldita alma interior.
Sinto falta de uma alma exterior. Daquela que sempre existiu pra mim, mesmo nos momentos mais imundos e conflitivos da vida. Agora ela se faz e desfaz no movimento do ponteiro maior, não deixa rastros, deixa apenas um gosto amargo que dura segundos. Depois não lembro de nada, e estou sozinha de novo. No dia seguinte são mais milhares de almas exteriores, a cada instante, arranhando a parede para que eu possa me manter de pé. Para o alto e avante. Uma, duas, três garrafas de cerveja, um mouse, um filme, um poster, um velho cd, um velho amigo, velhas lembranças, lembranças não tão velhas assim. E essas são as piores.
O inferno não são os outros. O inferno somos nós, eu e minhas almas, em constante hesitação.

*suspiro*